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quinta-feira, julho 31

Os dramáticos desenhos dos sobreviventes da bomba atômica

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Cupinchas...
Decidi reunir o máximo possível dos desenhos que pude encontrar em sites em português, Inglês, espanhol e em Japonês, para compor esta postagem...

O leitor perceberá a discrepância das legendas, pois nem todos as postagens foram fieis à publicação original e por esse motivo, em algumas imagens, este que vos escreve rusmea.com, adicionou Notas do Tradutor com Trechos do Texto contido na própria Imagem. As idades que aparecem em várias legendas, são de quando os sobreviventes vivenciaram a tragédia.

O objetivo deste longo post além de informar, é claro, é fazer um tipo de arquivo, já que esse material está aos poucos desaparecendo da web Japan. Peço desculpas pelo tamanho do post, pois ao publicar tudo de um única vez, imagino que se torne brutalmente cansativo ao leitor, mas isso me livra de ter que tratar novamente deste tema, que para mim, foi por demais doloroso...

Atenção! Apesar de ser uma lista de desenhos, advirto que as imagens são extremamente perturbadoras e podem ferir a sensibilidade do leitor.

Segue adaptação:

"Nos anos de 1974, 1975 o canal de TV NHK, decidiu reunir 72 sobreviventes da bomba atômica de Hiroshima, para que desenhassem as sua lembranças.
O resultado foi tão impactante, inédito e de tamanha importância que culminou na publicação do livro "Kami hi" (Literalmente "Monumento de papel" - título em Inglês: Written Monument), comemorando os 35 anos do ataque.
Os dramáticos desenhos são acompanhados de relatos, impressões e descrições que os sobreviventes testemunharam do evento e suas consequências, nos mostrando todo o indescritível terror que uma bomba atômica pode provocar.


Susumu Horikoshi - 8 anos - A crescente nuvem em forma de cogumelo, de cor prata brilhante sob o sol de verão.


Kiyoyoshi Goro - 48 anos na época - Uma hora após a explosão, o céu estava negro e tudo estava envolto em chamas.

Shoichi Furukawa - 32 anos anos na época - 'Haviam muitas pessoas deitadas uma ao lado da outra. Alguns já estavam mortos. Aqueles que ainda estavam vivos pediam: 'Água, água.' Eu derramei um pouco d'água do meu cantil na boca da mulher à direita, mas ela não bebeu. Seus olhos estavam abertos, mas ela estava morta. As larvas estavam se movendo em suas feridas. Quase todos mal respiravam e não estavam sendo tratados por ninguém.'


Tasaka Hajime -15 anos na época - Uma mãe pede água desesperadamente para seu filho, ambos queimados e com a pele coberta de bolhas.
Takeda Hatsue -15 anos na época - Pessoas queimadas e com os cabelos ainda em chamas correm pelos trilhos do trem.
Hamabe Shoji - 42 anos na época - Ruínas de uma barbearia com um esqueleto ainda na cadeira.
Nakano Ken'ichi - 47 anos na época - Cadáveres ao redor de um trem, só um sobreviveu e pedia água. 
'...Ouvi um fio de voz e adentrei o trem, onde encontrei mais de 14 pessoas mortas em um vivo que me pediu água. Saí, mas não encontrei água nas proximidades e como precisava procurar pelos meus, eu deixei o veículo para trás...Voltei à tardinha e aquele que estava vivo de manhã, já havia partido para o além...'(Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Kojiri Tsutomi - 4 anos na época - Removendo os vermes que apareceram nas feridas.
Masao Kobayashi - 45 anos - Pessoas caminhando com os braços à frente, como uma procissão de fantasmas.

Tsutomo Kojiri - 4 anos - A cúpula e o portão xintoísta foram as únicas construções em pé da antiga cidade.
Amano Katsuko - 14 anos - Soldados incineram cadáveres. 
'...Nos arredores da cidade, eu vi soldados empilhando e incinerando corpos em fogueiras montadas sobre chapas galvanizadas...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Ishibasi Shinko - 6 anos - Pilhas de cadáveres, a maioria com os olhos ainda abertos.
Ogawa Sagami - 28 anos - Cadáveres queimados no interior de um tanque d'água.
Akiko Takakura - 19 anos - Uma mulher sedenta abre a boca para tentar sorver algumas gotas da chuva negra.
Yamashita Masato - 20 anos - O corpo carbonizado de uma criança de 4 ou 5 anos aponta para o céu.
Kihara Toshiko -17 anos - Um soldado ajuda a cruzar o rio à autora do desenho e a seus dois irmãos enquanto milhares de cadáveres avermelhados flutuam no rio. 
'...O senhor soldado disse: 'Não olhem para baixo! Segurem firme em mim...' Assim que nós três seguramos na cintura do soldado e com muito medo atravessamos...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Yamagata Yasuko - 17 anos - Enquanto há cadáveres empilhados em um tanque d'água, uma mulher com o corpo carbonizado perambula com um bebê morto nos braços.
Michitsuji Joshiko - 20 anos - Pessoas saem de suas casas envoltas em chamas.
Ikegami Haruo - 20 anos - A vários quilômetros da explosão, pessoas perambulam com os corpos queimados e a pele se soltando. '...Uma interminável fila se estendeu, de pessoas gemendo e procurando por água, com a pele queimada e soltando do corpo...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Yamashita Masato - 20 anos - O desenho representa o irmão do autor que morreu em poucos dias soltando sangue pelo nariz e pela boca e perdendo os cabelos.
Ishikawa Fumie -16 anos - Crianças mortas na escola. '...Pessoas mortas no corredor da escola um dia depois da explosão...Um criança jazia morta em pé, escorada em um porta-guarda-chuvas...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Takahashi Akihiro -14 anos - O autor passando por uma ponte com um amigo. Seu amigo estava com os pés queimados e foi preciso que ele atravessasse a ponte engatinhando. 
Takeda Hatsue -15 anos - Estudantes de uma escola feminina, rodeadas de cadáveres de colegas, observam pela janela a cidade de Hiroshima em chamas.
Usagawa Yoshikata - 14 anos - Um bebê tenta subir sobre o cadáver de sua mãe.
Suga Yoko -14 anos - Centenas de pessoas trataram de escapar das chamas, pulando no rio sem saberem nadar, centenas se afogaram e o resto tratou de se aferrar em qualquer coisa que flutuasse.
Kihara Toshiko -17 anos - Um tanque d'água rodeado de cadáveres e outras pessoas tentando se aproximar para beberem, entre eles uma mãe morta e um bebê ainda com vida. No canto do desenho, um cavalo agoniza. 
'...Um pequeno bebê tenta mamar na mãe caída e ao olhar para ela, notei que estava morta...',  '...O cavalo estava com o corpo todo queimado e esperneava agonizando. Era doloroso só de olhar...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Yamashita Masato -20 anos - Um mar de fogo rodeia os corpos queimados das pessoas às porta de suas casas. 
'...As casas desabavam sobre as pessoas e o ar se encheu de gemidos de dor naquele mar de fogo que se tornou Hiroshima...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Sumimoto Sueko - 37 anos - Cadáveres de estudantes flutuando no rio enquanto uma mãe grita o nome de um deles.
Miya Tomiko - 34 anos - Quando a chuva negra começou a cair, as pessoas abriam suas bocas tratando de aliviar a sede, outros bebiam das poças que se formavam.
Yokohama Yoshihisa - 32 anos - Essa mesma noite na beira do rio, cadáveres ainda em chamas ardiam como se fossem centenas de fogueiras.
Ishikawa Fumie -16 anos - Soldados carregando em carretas os cadáveres que bloqueavam os caminhos. '...As pessoas dos grupos de salvamento empilhavam corpos sobre as carretas e as amarravam com cordas. Cada cadáver possuía bolhas de queimadoras e a pele esticada e sem rugas, dava aos corpos o aspecto de manequins...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Tanimoto Hatsuto - 41 anos - Corpos carbonizados. Uma mãe tratando de proteger o seu filho.
Inoue Tadao - 35 anos - Uma criança de 3 anos com o corpo queimado trata de comer um tomate. '...Uma criança come um tomate enquanto caminha de modo torpe nas proximidades da rua 8...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Ishizu Kashuhiro - 37 anos - Uma família com queimaduras por todo o corpo, abandona a cidade.
Murakami Misako - 45 anos - Estudantes femininas saem da escola com os corpos queimados e a pele soltando. '...Ela estava cega e já não se movia mais, quando um homem bondoso a cobriu com seu casaco. Ela ficou chamando pela sua mãe e morreu às 3 horas da tarde...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Matsumuro Kazuo - 32 anos - Uma mãe procura um lugar para cremar o corpo de seu filho morto que ela carrega nas costas. '...Das queimaduras da criança, vermes brancos se moviam. O capacete que ela carregava, seria para guardar os ossos e as cinzas da criança...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Ichida Juyi - 32 anos - Uma mãe chora olhando para o céu enquanto segura o seu filho morto nos braços.
Ikue Yamada - 12 anos - Uma mãe foge das chamas com o seu filho nos braços.
Katsumi Takumei - 15 anos - O corpo de um prisioneiro de guerra dos EUA. 
'...Dia 7 de agosto.
Por volta das 2 horas da tarde, um rapaz estrangeiro foi espancado até à morte na ponte Aioi...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Sumako Yamada - 20 anos - Durante alguns segundos após a explosão, Yamada viu um estranho arco-íris.
Eiichi Munekiyo - 33 anos - Uma criança em frente a uma casa em chamas gritando: 'Mãe, me salva! Está muito quente!'
Fusatarou Tanimine - 45 anos - Os efeitos da bomba em um estudante. '...Ele foi trazido por um professor. Sua camisa estava preta. Às 9 horas daquela noite, ele perguntou: 'Mamãe também foi atingida?' e morreu. Sua mãe teve todo o corpo queimado e veio a falecer no dia 8 de setembro...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Kazuo Matsumuro - 32 anos - Duas pessoas feridas em uma escadaria. '...Yoshimoto estava com as bochechas negras e tão inchadas e seus olhos também tão inchados que ele não conseguia abrí-los...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Yoshio Takahara - 34 anos - Primeiro perdiam os cabelos, depois, as gengivas e as pontas dos dedos sangravam, infeccionavam e todos morriam.
Sachiko Fujimoto - 11 anos - Uma jovem grávida nua e crianças fogem da cidade.
Haruo Harada - 10 anos - Um paraquedas e a bola de fogo da bomba atômica.
Ayako Ariki - 14 anos - Alunos em um posto de socorro morrem chamando por seus pais e mães.
Ayako Ariki - Filas de sobreviventes fugindo em silêncio no pico de Ochigodao. '...Teriam raptado a cidade de Hiroshima? Nos devolvam!! Nos devolvam!!...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Kasumi Takumei - 15 anos - Corpos amontoados em um tanque d'água.
Satoshi Yoshimoto - 13 anos - Famílias cremam os seus mortos. '...Por mais de um mês se estendeu o panorama dos sobreviventes, cremando os seus familiares...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Setsuko Yamamoto - 14 anos - Imediatamente após a explosão, eu caminhei sobre as pessoas feridas para sair de um bonde.
Atsuko Iwamoto - 13 anos - Pessoas andando na beira do rio e este repleto de cadáveres flutuando.
Jinichi Fujimoto - 15 anos - Uma criança queimada. '...Escombros de uma casa nas proximidades do rio. A criança deveria estar brincando na escada no momento da explosão. Tinha uns 3 ou 4 anos. Seu olhos haviam saltado das órbitas, todo o seu corpo estava marrom e seu umbigo estava saltado para fora...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Fumiko Yamaoka - 18 anos - Um posto de socorro improvisado ao lado da linha férrea.


Akira Araki - 37 anos - Um estudante com a perna mutilada. '...Na plataforma de embarque da estação de Hiroshima, aos pés das pessoas que para lá foram se abrigar, havia um estudante gritando: 'Por favor, me ajude'. Até hoje eu não consigo esquecer aquela voz...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Hisato Yamane - 38 anos - Corpos de jovens estudantes na área da ponte de Shin-Ohashi.
Yoshizo Kawakami - 39 anos - Sobreviventes aplicam pomadas nas queimaduras. Uma criança tenta se amamentar no peito de sua mãe gravemente ferida.
Sadako Kimura - 45 anos - Uma estudante fugindo.
Mitsuko Taguchi - 30 anos - Corpo carbonizado de uma mãe que tentou proteger seu filho. '...Seus cabelos arrepiados, a criança sob o seu corpo e seus olhos abertos como se estivesse viva, foi algo tão inacreditável que eu nunca mais esqueci daquela cena...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Kenichi Nakano - 47 anos - Uma cidade infernal em um mar de fogo.
Hiromu Yoshida - 31 anos - Um cavalo morto, cujos olhos saltaram para fora pela explosão.
Kazuo Matsumuro - 32 anos - Uma mulher cuja pele queimada estava descolada e pendurada.
Shigemasa Tamura - 6 anos - Em frente ao Hospital da prefeitura, as pessoas fizeram uma longa fila à espera de tratamento para suas queimaduras. Tratados com um medicamento que parecia tinta branca, todos luziam brancos por todos os lados. Todos morreram pedindo água.
Yoshi Michida - 32 anos - Pessoas pulando no rio para escapar das chamas e morrendo afogadas.
Asako Fujise - 22 anos - Vista do monte Hijiyama, a cidade emanava um brilho vermelho, queimando como um inferno. '...A vida das pessoas foi tratada como a de insetos e as pessoas foram esmagadas como formigas enquanto fugiam e eram queimadas, cobertas de sangue em um mapa do inferno...' (Texto Da Imagem. NDT. rusmea.com)
Masao Yamashita 36 anos - Nomeando com placas os nomes dos mortos e feridos ante a escola primária de Honkawa.
Yoshimi Hara - 26 anos - Transportando os feridos para Otake de barco. Não foram fornecidos suficientes cuidados e nada poderia ser feito caso fossem alvo de aviões inimigos.
Isamu Harada - 14 anos na época do bombardeio, 71 quando desenhou esta imagem - Um bonde de Hijiyama foi parado e incendiado. A estrutura estava meio esmagada. Os corpos carbonizados completamente pretos, estavam pendurados nas janelas ou deitados onde haviam sido lançados na estrada. Cada pessoa nesse bonde havia morrido instantaneamente.
'Um homem que se parecia com um guardião de um templo mítico, arrastava lentamente os pés na minha direção. Ele ainda usava uma tanga e polainas rasgadas em uma perna. Suas roupas haviam queimado e estavam em farrapos, deixando-o praticamente nu. Um olho havia saltado para fora de seu rosto inchado de um vermelho brilhante.'
Akira Onogi - 15 anos no momento do bombardeio, 45 anos no momento do desenho - Uma jovem estava soluçando violentamente com a sua mãe presa sob a casa que desabou.
'Ela gritava para os seus vizinhos, 'Salvem a minha mãe.' Três homens não poderia ter movido aquela viga. As chamas estavam se movendo rapidamente. Não havia nenhuma maneira de salvá-la. Eu juntei minhas mãos em oração e disse: 'Por favor, me perdoe,' e saí.'
Shigeru Miyoshi - 40 anos no tempo do bombardeio e 70 no momento em que fez o desenho - Se ela estivesse viva agora, ela seria uma mulher de 35 ou 36 anos. 
'Hiroko, não desista, seja forte. Namu Amida Butsu, Namu Amida Butsu'.
Hiroko... Apenas com a cabeça para fora do teto caído em que estava presa, era uma menina de 5 ou 6 anos.
Chieko Matsumura - 33 no momento do bombardeio, 62 anos no momento do desenho - Haviam cerca de 20 estudantes imobilizados. 'Quando eu me arrastei para fora do prédio da escola caída, tudo ao meu redor estava escuro. Chamas vermelhas e negras estavam se alastrando perto da sala de ciências.
De uma fresta na coluna do edifício escolar destruído, um aluno colocou a cabeça e o braço direito para fora. Ele estava pedindo ajuda nos limites de seus pulmões. Em torno dele eu podia ouvir outros alunos gemendo. Eu tentei ajudar, mas a argamassa apenas desmoronava. Eu não podia fazer nada sem a ajuda de mais alguém. Eu ainda posso ouvir as vozes chamando: 'Professora, me ajude.' Eu mal posso suportar.'
Kazuno Mae - 26 anos no momento do bombardeio, 56 anos no momento do desenho -  Entre as multidões de feridos, eu vi uma jovem mãe triste. Seu filho havia morrido enquanto fugiam.
Agora, ela estava com a cabeça coberta por um pano preto. Quando ela pegou a corda de palha que ela usava para amarrar o seu bebê morto às suas costas? Ela arrastava-se sob o sol escaldante. Gostaria de saber para onde ela estava indo.
Kazuo Akiyama - 34 anos - Uma mulher com o corpo queimado tentando abrigar seus dois filhos - 1.200 metros do hipocentro, perto de Tenma-cho (Tenma-cho, Nishi-ku) 7 de agosto de 1945 - Uma mãe e seus dois filhos que haviam sido engolidos pelas chamas enquanto estavam tentando fugir. Ela havia se curvado ao chão, puxando as crianças para debaixo dela e assim foi como eles morreram. Os dedos das crianças estavam cravados profundamente na pele de sua mãe.
Kazuo Matsumuro - 32 anos - Uma garota que morreu enquanto pedia água perto da ponte de Tsurumi - 1.700 metros do hipocentro, linha de bonde de Hijiyama - 6 de agosto de 1945, em torno das 14:00 - Quando passei perto dela, ela debilmente pediu água. 'Não desista, soldados estarão aqui em breve' Eu disse de forma encorajadora, enquanto eu passava. Quando eu vi ela 20 minutos mais tarde, ela já estava morta. Nas proximidades havia um soldado cujo rosto estava meio enfaixado e ele possuía um monte marcas por todo o corpo.
Toshiko Kihara - 17 anos - Cadáveres carbonizados em torno do bonde - 1.300 metros do hipocentro, Tenma-cho 7 de agosto de 1945 - 'Meus olhos pousaram sobre um bonde de cor vermelho fogo, parado em Tenma-cho. Espalhados ao redor do veículo e no interior, haviam pessoas queimadas como carvão. Carvão humano. Eu não podia acreditar nos meus olhos enquanto eu observava os soldados cobrindo os corpos com esteiras de palha. Como uma cidade inteira podia virar carvão e cinzas em um instante? O choque me fez sentir vertigens.'
Shunsuke Makino - 29 anos - Cadáveres dos passageiros ainda sentados em seus lugares - 'Olhando para um bonde que havia sido explodido, vi a maioria do corpos sentados. Um no entanto, ainda estava pendurado pela alça de mão.'
Shunsuke Makino - Recolhendo em barcos, o enorme número de cadáveres flutuando no rio.
Tokiko Kuwamoto - Professoras e alunas da Escola Municipal em uma cisterna - '8 de agosto, Zaimoku-cho. Eu encontrei minha criança vítima do ataque aéreo nas cercanias do templo Senganji. Os globos oculares das estudantes da escola municipal de meninas, haviam saltado das órbitas e estavam pendurados nas maçãs dos seus rostos. Uma professora havia colocado as estudantes dentro da cisterna e as cobriu com o próprio corpo. Instintivamente, eu juntei minhas mãos em prece.'

'8 de agosto, perto de Misasa-machi. Encontrei a Sra. Kato. Ela disse que um pedaço de madeira de barril havia acertado a cabeça de Masako-chan (uma estudante de primeiro ano na escola de meninas e uma boa amiga da minha filha) e provavelmente a matou instantaneamente. Quando a Sra. Kato tentou puxá-lo para fora, gritando 'maldito pedaço de madeira!' o sangue da filha dela começou a derramar, então ela enfiou de volta, colocou-a em um carrinho e empurrou para casa, chorando todo o caminho.'
Shoichi Furukawa - 32 anos - Vítimas alinhadas em duas fileiras nos trilhos -  'As vítimas estavam deitadas em duas fileiras sobre esteiras de palha, colocadas sobre os trilhos do bonde em Funairi-machi. Um pepino havia sido colocado ao lado de cada uma das suas cabeças, juntamente com um pouco d'água em uma lata ou em uma tisana de cerâmica. Alguns morreram segurando firmemente a sua comida. Alguns não conseguiam sequer levar a água até as suas bocas. Estas vítimas não conseguiam nem gemer, provavelmente porque suas vozes haviam se esvaído. Haveria alguém para cuidar daquelas 20 pessoas feridas? O que  aconteceu com elas? Trinta anos depois e eu ainda lembro daquela cena como se fosse ontem.'
Shoichi Furukawa - 32 anos - Numerosos cadáveres inchados com a pele soltando, flutuavam na superfície do rio - 'Muitos cadáveres flutuavam no rio que passa perto do santuário Sumiyoshi. A pele havia caído e os corpos estavam tão inchados que não dava para saber quem era homem ou quem era mulher. Um fedor flutuava no ar. Meu peito estava pesado, sabendo que eles seriam varridos para o mar, seus nomes desconhecidos, suas mortes desacompanhadas. Eu juntei minhas mãos em prece.'
Jun Watanabe - 16 anos - Cadáveres carbonizados eram levados um após outro de ruínas queimadas e eram cremados.
Tamaki Ishifuro - 35 anos - Cremando minha própria criança - 'Eu cremei a minha filha mais velha Naoko (3 anos). As lágrimas corriam sem parar. 'Vai na frente, eu vou depois!' Eu juntei minhas mãos em prece. Meu segundo filho Katsumi (9 anos) ainda estava desaparecido. Rezei para que ele houvesse escapado em segurança para algum lugar. 
Enquanto ela queimava, o óleo em seu corpo gradualmente fluia. Uma quantidade enorme. Que criança saudável! E que tristeza. Eu não podia ficar para assistir, pois eu achava que iria enlouquecer. Como isso poderia ser o mundo real? Foi um inferno. Eu continuo vivendo por 30 anos me sentindo culpado pelos meus dois filhos mortos. Me perdoem, eu não consegui manter a minha promessa, a responsabilidade de pai. (Eu não tive a coragem.)'

Akira Onogi - 15 anos - Muitas pessoas mortas em torno de uma cisterna - 'Pessoas se agruparam em torno de uma cisterna de armazenamento d'água contra incêndios, para pegarem água, mas depois de beberem, eles morreram no local. O cadáver de uma jovem grávida flutuava na água. Meu peito doeu quando apliquei a tinta vermelha neste desenho.'"






Aqui, anexo algumas páginas da obra prima Gen pés descalços (Hadashi no Gen) de autoria e memória de Keiji Nakazawa
Atualmente, esta obra está sendo removida de todas as bibliotecas escolares do japão por ordem do governo e na teoria, com o objetivo de não chocar as crianças de hoje em dia, mas na prática, é evidente que o Japão está tentando jogar essa parte da história no esquecimento...

Eu só fiquei sabendo que estilhaços de vidros derreteram e se fundiram nos rostos das vítimas, através desta obra.
Na história, o garoto Gen, a personificação do autor que vivenciou a tragédia, perde quase toda a sua família diante dos próprios olhos sem poder fazer nada.


Abrax

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9 comentários:

Nomee Completoo disse...

Parabens por mais um post fora de serie do rusmea! esse foi muito chocante e igualmente educativo...

infelizmente como no mundo todo, as pessoas nao sao educadas e sim doutrinadas (marxismo cultural). Aqui ha muitos anos temos recebido uma doutrinacao esquerdista/comunista/feminista/gayzista/multiculturalista/etc. Lah nao eh diferente...

Entao acho que eh importante para esse
"plano" que o povo japones se esqueca desses detalhes...

inoxloxlayer disse...


De certa forma sim Nomee...

Obrigado pelo comment

Grande abrax

Fideco disse...

Nossa, já tinha conhecimento desses desenhos e já tinha visto alguns desenhos, mas este post esta bem mais completo.

Realmente, bem chocante. Estou emocionado.

Infelizmente parece que nós não aprendemos nada com os nossos erros do passado.

Continuamos nos matando, os conflitos não param ( Russia x Ucrania, Israel x Palestina, Guerra Civil da Síria, genocídios e muitos conflitos em todas as partes do mundo, em todas as épocas ). Nessas guerras, quem sai perdendo são as populações civis.

Realmente muito triste e sofrido este post.

Quase não consigo terminar de ler tudo.........

Muito obrigado.

Mayumi Honda disse...

Primeiro sentimento foi de tristeza, logo após revolta profunda, o terceiro foi pena da humanidade que ainda guarda armas com tal poder de destruição humana sem ao menos refletir o que pode acontecer e quão cruel são os efeitos sobre aqueles que não morrem na hora e quão dolorosa é a morte para quem se foi e para quem ficou com sequelas e até mesmo dos horrores de simples lembranças do ocorrido...

inoxloxlayer disse...

Eu tenho um sentimento de "Me desculpe" aos leitores, por trazer um post tão doloroso como este...

Mas ao mesmo tempo fico muito grato pelos enriquecedores comentários como o teu Mayumi.

Muito obrigado

Abrax

Anônimo disse...

Meu Deus!porque eu tive que ler isso,quase morri de tristeza ,me coloquei no lugar deles e não tenho palavras é angustiante demais gente ,agora percebí que sou imbecil e ingrata demais pela vida boa que tenho .Que Deus os tenha com Ele la no céu porque por mais pecador que uma pessoa possa ser não merece passar por isto.

doctorguy disse...

Parabéns pelo post, pela iniciativa! A memória dessa gente deve ser para todo sempre preservada, reconstituída, reproduzida. O sofrimento causado não se pode comparar a nada que a humanidade já tenha visto, e incrivelmente é muito pouco reproduzida pela mídia. Procuro no google algum filme sobre essa tremenda tragédia, e não encontro nada. No google. Esse massacre sem precedentes é escondido, manipulado, mal resolvido, quando deveria ser historicamente recuperado e realizado as possíveis punições, seja na forma de compensações financeiras, acordos de cooperação, algo que pelo menos mitigue um pouco a tremenda DOR que os americanos, em especial o excelentissimo Henry Truman presidente na época, causou ao Japão.

rusmea inoxloxlayer disse...

Obrigado doctorguy

Me faltam palavras para agradecer o teu comentário

Grande abrax

doctorguy disse...

Oi Rusmea, estou aqui novamente visitando seu post. Eu ainda solto lágrimas, eu ainda tento compreender... tento buscar uma explicação eu acho, nesses desenhos, mas é um exercício fugaz. Eu observo as pessoas ao meu redor, vivendo despreocupadas, envolvidas em suas atividades fúteis, sem nem saber 1% do que se passou com estes japoneses, estes seres humanos. É muito, muito triste ver que ninguém se importa, tenho lido alguns posts no youtube, gente dizendo que a "culpa foi dos japoneses"... "bem feito mereceram"... eu simplesmente não acredito.. como pode tanta ignorância frente a uma carnificina gratuita dessas...