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segunda-feira, abril 28

Vidas esquecidas - As malas abandonadas do centro psiquiátrico Willard

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Cupinchas!
Quando o centro psiquiátrico de Willard em Finger Lakes, Nova Iorque fechou em 1995, dois funcionários, Beverly Courtwright e Lisa Hoffman, encontraram uma porta escondida que levava à cobertura de um dos edifícios abandonados...

Segue adaptação:


"Ao abrir a porta, descobriram uma ampla habitação que albergava umas 400 malas, caixas e baús pertencentes a alguns dos numerosos pacientes que estiveram internados naquele asilo mental. As malas dos homens estavam colocadas à esquerda e as das mulheres à direita. Estavam organizadas em ordem alfabética e devidamente etiquetadas.


Os pacientes trouxeram aquelas malas, quando foram admitidos no sanatório, mas por circunstâncias desconhecidas, não foi permitido que eles mantivessem as malas com seus pertences em suas habitações. Documentos, livros, fotografias, sapatos, roupas, pratos envolvidos em papel de jornal e outros muitos objetos pessoais foram conservados intactos durante décadas naquela cobertura do hospital.

Após o achado dessas malas, Darby Penney e Peter Stastny  -professores de psiquiatría no Albert Einstein College of  Medicine - em colaboração com a fotógrafa Lisa Rinzler selecionaram dez malas e pesquisaram a história pessoal de cada um dos proprietários das mesmas, tratando de descobrir que motivos causaram sua internação no centro psiquiátrico. O resultado da investigação deu lugar a uma Exposição no New York State Museum em 2008, uma Exposição online e um interessante livro, The Lives They Left Behind: Suitcases from a State Hospital Attic. ("As vidas que eles deixaram para trás: As malas do sótão de um hospital psiquiátrico")


Os objetos pessoais dos pacientes permitem conhecer quem eram essas pessoas antes de desaparecerem por trás dos muros do hospital, quais eram seus trabalhos, aspirações, suas relações com os demais. Nas fotografias aparecem frequentemente sorridentes, descontraídos, viajando, praticando esporte, estudando... levando essa vida normal que todos nós levamos.


Mas através das informações contidas dentro destas malas abandonadas, também podemos ver como suas vidas, em um momento determinado, se quebram como consequência não só da doença mental mas também de outras muitas circunstâncias. A partir dessa catástrofe pessoal, essas pessoas deixam de ser consideradas 'sãs' ou 'normais' e a maioria é enclausurada para sempre.

No entanto, na atualidade, essas pessoas receberiam tratamentos muito diferentes (No site echoes of willard há um artigo que explica que os tratamentos empregados no centro psiquiátrico eram duros, desde os anos 30) e não permaneceriam durante décadas isoladas do mundo.
Por este motivo, suas histórias são tão interessantes e emotivas.
Neste post, descobriremos a história de Madeline, Theresa, Lawrence, Margaret, Roderigo, Ethel e outros pacientes que terminaram sendo internados no Centro Psiquiátrico de Willard

Madeline
 Madeline em Dallas. 1922

Madeline nasceu em 1896. Pertencia a uma rica família de Paris. Se graduou na Sorbonne e em sua juventude, viajou por toda a Europa e Estados Unidos. Em suas malas foram encontradas muitas das fotografias tomadas durante suas viagens.

Fotografia tomada por Madeline em Vigo

Após a Primeira Guerra Mundial, Madeline deixou a França e transladou-se a Nova Iorque, onde conseguiu um bom trabalho como secretária. Durante a década de 1920, foi professora de literatura francesa em escolas privadas para crianças em Boston, Dallas, New Hampshire e Nova Iorque. Era uma mulher intelectual, interessada pela filosofia, literatura, história e música. Esse interesse pelo conhecimento levou-a a aumentar seus estudos na Universidade de Columbia.

Amigas ou colegas de Madeline

Sua vida parecia interessante e próspera mas em um determinado momento, Madeline foi se afastando de seus amigos e colegas de trabalho. De acordo com seu arquivo, algumas das pessoas que a empregaram a consideravam 'estranha, sem tato e dominante'. Sua sorte começou a mudar durante a Grande Depressão, não conseguiu encontrar um trabalho estável e foi se fechando em si mesma. Finalmente, foi internada em 1931 na unidade de psiquiatria do Bellevue Hospital em Manhattan.


Madeline atendeu voluntariamente ao condicionamento, mas achava que sua hospitalização seria algo temporária. Não podia ter imaginado que após permanecer naquele centro, ela seria transladada a outros hospitais psiquiátricos até terminar internada no Willard em 1939. Segundo seu arquivo, Madeline tinha declarado enfurecida que lhe parecia um ultraje que a mantivessem hospitalizada contra a sua vontade.


Os documentos registrados indicam que em 1965, ela continuava exigindo a sua libertação, argumentava que não estava louca e que estava perdendo o tempo presa ali.


Madeline recebeu fármacos antipsicóticos na década de 1950. Com o tempo, desenvolveu o que mais tarde chegou a ser conhecido como discinesia tardia (DT), um transtorno dos movimentos causado por consumir medicamentos usados para controlar a esquizofrenia e outras psicoses.

Em 1970, um documento sustentava que Madeline tinha desenvolvido 'movimentos nervosos, posturas rígidas e caretas faciais'. Achavam que a patologia que padecia Madeline, não era causada pelo uso prolongado de determinados remédios, de modo que seguiu tomando. Prescreveram à ela, uma 'terapia de atitude' para conseguir que deixasse de fazer aquelas caretas.

Com 79 anos, após permanecer 47 anos no Willard, foi enviada a um centro de atendimento privado, situado próximo do centro psiquiátrico. Morreu em outubro de 1986, no Condado de Seneca, com a idade de 90 anos.


Theresa

Theresa nasceu em 1880 em Baviera, Alemanha. Com apenas 16 anos ingressou na congregação das Irmãs Dominicanas, onde tomou o nome de Sor Marie Ursuline. Foi levada à América em 1898. Teve problemas com a Madre Superiora e começou a questionar sua permanência na congregação. Em 1917 escreveu ao seu pai, lhe pedindo ajuda para voltar para casa na Alemanha, mas sua carta foi devolvida devido às restrições de correio em tempo de guerra. Theresa tinha dúvidas espirituais que lhe ocasionavam uma grande inquietação.

Objetos pessoais na mala de Theresa.
Foi internada no Hospital Estatal de Manhattan em junho de 1918. O pessoal do hospital não chegou a achar que fosse freira, considerava que sua formação religiosa era produto de sua imaginação. Em sua entrevista de admissão, Theresa assegurou desesperada que ela não estava louca, que não escutava vozes nem tinha visões, que só estava nervosa.

Oito meses depois, com 39 anos, Theresa foi enviada ao Willard. Também nesta instituição, não acharam que ela fosse uma religiosa. Em seu arquivo, a descrevem como: 'barulhenta e delirante'.


Theresa, traumatizada pela dura vida no Willard, evadiu-se de si mesma, assumindo outras identidades alternativas, entre as quais, se encontrava uma criança de nove anos. Após permanecer neste hospício por 30 anos, morreu com a idade de 69 anos e seu corpo foi utilizado para fins científicos.


Lawrence
Lawrence nasceu em 1878 no Império Austro-Húngaro. Em sua juventude, serviu o exército. Depois de dar baixa, se dedicou a recolher sucata e ao comércio ambulante de objetos de metal. Por volta de 1900, dois acontecimentos mudaram sua vida: recebeu uma grave lesão na cabeça, como consequência de uma pedrada, e começou a beber frequentemente em excesso. Terminou sendo internado em um hospital mental de Düsseldorf, Alemanha, onde permaneceu por cerca de um ano.

Em 1907, viajou para Nova Iorque. Encontrou trabalho como limpador de janelas no Hospital Bellevue. Em 1916 foi internado em um hospital psiquiátrico porque ia pelas ruas cantando ruidosamente, gritando que escutava a voz de Deus, afirmando que podia ver os anjos e que tinha pecado muito. Em 1918, foi enviado ao Willard.

O conteúdo da mala de Lawrence
Em seu arquivo, sustentavam que Lawrence era um paciente difícil e solitário, mas um bom trabalhador. Em 1937, se converteu em coveiro do Willard. Este ofício, inicialmente não remunerado (o trabalho não remunerado foi proibido nos centros psiquiátricos a partir do ano 1973), agradava a Lawrence porque lhe permitia fugir da rotina asfixiante que se vivia nas salas do centro psiquiátrico. Durante um bom tempo, lhe foi permitido viver em um barraco dentro do terreno do cemitério e voltar ao hospital só para comer.

Em 1945 escreveu uma carta ao diretor do Willard solicitando sua libertação. Argumentou que tinha sido um trabalhador excelente, escavando mais de 600 covas em oito anos. No entanto, Lawrence continuou como coveiro no hospital, até poucos dias antes de sua morte, aos 90 anos, em 1968. Permaneceu na instituição mental durante 50 anos. Foi enterrado de modo anônimo no cemitério que ele mesmo havia cuidado durante tanto tempo.


Margaret

Margaret nasceu em Edimburgo, Escócia, em 1892. Segundo uma de suas tias, era 'uma criança brilhante e feliz que sofreu desgraça após desgraça'. Seu pai, um marinheiro mercante, morreu de tuberculose quando ela tinha 7 anos. Sua mãe, que voltou a se casar em pouco tempo, foi acusada pelas autoridades de não cuidar das suas filhas, de modo que Margaret e sua irmã Marie foram internadas em um orfanato. 

Fotografias de Margaret colocadas sobre sua mala
Margaret se tornou enfermeira e sua vida, apesar da guerra e os bombardeios que sofreu o hospital onde trabalhava, começou a lhe agradar. No entanto, a morte de seu noivo na França, algumas semanas após ir para a frente de combate, fez com que ela voltasse a ficar só e amargurada.

Conteúdo da mala de Margaret
Emigrou aos Estados Unidos em 1921 e inscreveu-se em estudos de pós-graduação em enfermaria no Hospital das Mulheres de Nova Iorque. Durante sua formação, sofreu uma lesão grave na cabeça. Em 1925 contraiu tuberculose e teve que abandonar seu trabalho no Hospital das Mulheres. Durante seis anos permaneceu em hospitais para tuberculosos. Depois de sua reabilitação, só pôde encontrar trabalho neste tipo de instituições.

Xícara de chá pertencente a Margaret

Apesar de sua dura vida, Margaret era uma mulher alegre, viajou muito, tinha um excelente grupo de amigos e um carro próprio.

Após a morte do doutor que sempre a havia atendido, que era também seu amigo e confidente, seu novo médico considerou que seus problemas emocionais requeriam um tratamento psiquiátrico. Foi admitida no Willard em 28 de junho de 1941. Deve ter sido realmente duro para Margaret que não lhe permitissem conservar seus pertences, já que levou ao sanatório, um grande número de pertences. Em concreto, no sótão foram encontradas 18 malas, caixas e baús.

Testamento de Margaret
Tinha 48 anos quando foi internada no Willard. Em sua entrevista de admissão, se referiu a si mesma como uma 'mosca em uma teia de aranha' e concordou em ficar só até que encontrasse um local melhor para ela. Mas isso nunca aconteceu.

Livros e objetos pessoais de Margaret
Durante seus 32 anos em Willard, não recebeu psicoterapia, mas sim, lhe forneceram grandes doses do tranquilizante Thorazine. Segundo os registros, se dedicou a tecer e a ler. Faleceu em 17 de agosto de 1973.




Roderigo

Roderigo provinha de uma rica família da classe alta filipina. Em 1907, viajou aos Estados Unidos para cursar uma escola em Salt Lake City.

Colegas de colégio de Roderigo
Já adulto, se mudou para Chicago e depois a Buffalo, onde apesar de sua formação, trabalhou como empregado doméstico de um dos médicos mais famosos da cidade. Durante este tempo, Roderigo propôs se converter em um ministro metodista.

 No entanto, começou a se deprimir e a ouvir vozes que o acusavam de ser um pecador e o médico para o qual trabalhava, decidiu interná-lo no Hospital Estatal de Buffalo em 1917. Tinha 29 anos. Em outubro de 1919, foi transladado ao Centro Psiquiátrico Willard. Em seu arquivo, estava incluída a seguinte descrição de seu caráter:


'Facilmente entabulava conversas com qualquer pessoa, é sociável, muito bem educado, amável, cortês, cooperativo, organizado e limpo, nunca causa problemas. Está muito disposto a ajudar com o trabalho de jardinagem... lê livros e escreve poesia simples.'
O pessoal do psiquiátrico estava muito impressionado com os seus conhecimentos de música clássica e de poesia.

Conteúdo da mala de Roderigo
No final de 1960, lhe ofereceram a oportunidade de viver, junto a um grupo de pacientes fora do Willard, mas ele recusou a oferta. Encontrava-se tão habituado a sua vida naquela instituição mental que já não desejava sair dali. Em seu arquivo foi encontrada a seguinte observação:

'Quanto a duração dos anos de internação, parecem ter sido um erro, já que este homem atualmente possui um estado mental perfeito.'
Com o tempo, Roderigo foi perdendo a visão e foi transladado a uma sala para pacientes cegos. Morreu em 1981, após permanecer no Willard por 62 anos.


Frank
Em 7 de junho de 1945, Frank foi a um restaurante no Brooklyn, onde lhe serviram a comida em um prato quebrado. Frank ficou chateado e começou a perturbar do lado de fora do restaurante, chutando latas de lixo.

A polícia foi chamada e ao invés de prendê-lo, internaram a Frank no Hospital Estadual do Brooklyn e em 9 de abril de 1946, ele foi transferido para o Willard.

Objetos pessoais de Frank
Nascido em 1909 em Columbus, Ohio, Frank chegou no Brooklyn com a idade de 20 anos e encontrou trabalho como motorista. Ele também era um pugilista amador. Alistou-se no Exército dos EUA em maio de 1941 e recebeu alta médica em 1944. Frank voltou a se estabelecer no Brooklyn.


Embora o registro médico afirme que ele não tinha laços familiares, ele manteve contato com sua família em West Virginia e Ohio, incluindo correspondências regulares com o pai. Algumas dessas cartas foram encontradas em sua mala, meticulosamente ordenadas juntamente com um uniforme bem passado do Exército, fotos de família, e um sapato de bebê.

A equipe do hospital trabalhou duro na época, para recuperar a mala de Frank, apreendida pela sua senhoria no Brooklyn, não porque eles estavam preocupados com o acesso aos seus bens, mas porque queriam obter seus documentos de quitação do exército, para que assim, ele pudesse ser transferido para o sistema  de administração de Veteranos .

Frank nunca escapou das consequências daquele dia fora do restaurante em 1945. Em 1949, ele foi transferido do Willard ao hospital de administração de veteranos em Canandaigua, Nova Iorque e em 1954 para o hospital de veteranos em Pittsburgh. Ele morreu 30 anos mais tarde, depois de ter passado mais da metade da sua vida em uma instituição.

Dmytro

Dmytro nasceu em uma família de ucranianos agricultores pobres em 1916. Seu pai morreu dois anos depois. Sob a ocupação nazista durante a Segunda Guerra Mundial, Dmytro e inúmeros outros foram forçados ao trabalho escravo. No final da guerra, ele tentou voltar para casa, apenas para ser capturado pelas forças soviéticas e enviado para um campo de internamento na Hungria. Ele conseguiu fugir para Viena e refugiou-se em um campo americano de deslocamento de refugiados.


Lá ele conheceu e se casou com uma polonesa chamada Sophia e eles emigraram para a América em 1949. Eles se estabeleceram em Siracusa, onde encontraram bons empregos e uma comunidade imigrante ucraniana acolhedora. Dmytro começou a construir uma casa para eles. Sophia ficou grávida e seu futuro parecia muito promissor.

Pintura de Dmytro
Para expressar sua gratidão ao seu país de adoção, Dmytro construiu um modelo da igreja ucraniana de sua aldeia natal e entregou-o ao presidente Truman. A igreja foi exibida em um escritório do governo em Washington por vários anos. No entanto, logo depois, Sophia morreu durante um aborto e a vida de Dmytro começou a desmoronar.

Em sua tristeza pela morte de sua esposa, Dmytro chegou a acreditar que ele deveria casar-se com Margaret Truman, filha do presidente. Ele visitou a capital Washington em 1952 e tentou visitá-la na Casa Branca. O Serviço Secreto dos EUA o detiveram e mandaram-no para o Hospital St. Elizabeth, em Washington. Ele foi devolvido à Siracusa e internado no hospital de psicopatia de Siracusa, antes de ser enviado ao Willard em 1953.

Durante vários anos, Dmytro definhou em Willard. A equipe teve dificuldades para entender o seu sotaque ucraniano e lhe foram administrados 20 tratamentos de eletrochoque, que não melhoraram sua condição. No início de 1960, ele começou a participar de sessões de terapia ocupacional  e ficou claro que ele tinha uma paixão e talento para se expressar através da pintura. 

De acordo com os funcionários, durante anos Dmytro pintou uma crônica de sua vida. Sua obra foi exibida no local e em uma exposição de arte de pacientes em Washington, mas algumas de suas pinturas foram generosamente presenteadas às pessoas que admiravam seu trabalho. 
Dmytro permaneceu no  Willard até 1977, quando foi deixado em uma casa de repouso no campo e mais tarde, se mudou para uma outra casa de repouso. Ele continuou com a pintura, decorando paredes com murais. Dmytro morreu no ano de 2000, aos 84 anos de idade e foi sepultado em Norwich, Nova Iorque.

Herman
Herman teve sua primeira crise em 1902 aos 18 anos, talvez como resultado da cirurgia a que foi submetido aos quatro anos de idade. Diagnosticado com epilepsia, ele foi enviado de sua casa do Brooklyn para a nova Colônia Craig no norte do estado rural de Nova Iorque em 1908. A 'colônia Craig', foi a primeira tentativa do Estado em compreender e cuidar de pessoas com epilepsia.
A fotografia era uma ferramenta importante nas investigações e em poucos anos, Herman estava bem próximo, ajudando o pessoal da Colônia com fotografias. Em 1915 ele estava trabalhando como fotógrafo livremente, tirando fotos dos funcionários e de seus companheiros de hospital, sendo bem visto por suas habilidades. Ao mesmo tempo, ele foi descrito como um 'modelo de paciente' estando em grande parte, livre de crises convulsivas.

Objetos pessoais de Herman
Em 1930 , depois de ter passado a maior parte de sua vida adulta internado, Herman foi descrito em seu arquivo como deprimido e pouco comunicativo. Ele foi internado no Willard, apesar da declaração do médico dizer que 'nenhuma razão pode ser encontrada neste paciente para mantê-lo em uma instituição do Estado por loucura.'

Herman ficou Willard por 35 anos, mas nunca mais trabalhou como fotógrafo. Ele foi um dos muitos pacientes transferidos do Willard para a Divisão de Sampson, a uma curta distância, para ajudar a aliviar a superlotação na unidade principal. Seus registros afirmam, mais uma vez, que ele era indiferente e geralmente desinteressado, embora bem-comportado e disposto a ajudar nas enfermarias quando solicitado.

Aparentemente, ele não tinha mais crises. Quando Herman estava com seus setenta anos, lhe foi oferecida a oportunidade de deixar o Willard : 'Para onde é que eu vou?' , respondeu ele. 'Não tenho nenhum lugar para ir.'  Ele ficou lá até morrer em novembro de 1965. Sua família teve seu corpo transladado ao Brooklyn, onde ele foi sepultado no Cemitério Mount Olivet.

Ethel

Ethel nasceu em Ithaca, Nova Iorque, em 1889. Era filha de um pastor metodista. Quando tinha 18 anos, se casou com um encanador. Seu marido bebia muito, era violento e tinha muitas amantes.
Ethel teve dois filhos, sofreu dois abortos involuntarios e deu a luz a mais dois filhos, que morreram na infância.

Objetos pessoais de Ethel
Quando já não pôde seguir aguentando aquela relação, abandonou o seu marido e começou a ganhar a vida como costureira. Sua mala continha roupas de alta qualidade que ela havia confeccionado: uma fina colcha costurada à mão, um precioso vestido de bebê bordado e sapatinhos de bebê.

Em 1930, foi admitida no Willard. Seu arquivo indicava que foi internada por solicitação de sua senhoria porque se negava a abandonar a habitação que havia alugado e só queria permanecer na cama alegando que estava doente.

Ethel foi descrita como uma paciente muito sociável e eloquente, limpa e bem vestida. No entanto, em algumas ocasiões, era excessivamente sarcástica, irritante e negava-se a trabalhar. Gostava de ler e fazer crochê.

No começo, os seus filhos a visitaram várias vezes, mas depois deixaram de fazê-lo, apesar de que a filha era funcionária do centro psiquiátrico. Durante os 43 anos que permaneceu em Willard, não recebeu medicação. Morreu em 1973.


Finalmente deixo vocês com algumas imagens espetaculares do centro psiquiátrico Willard abandonado.
A imagem pertence ao necrotério do Willard.

Outra imagem da morgue.

Pias quebradas.
Galerias dos porões do Willard
Outra imagem de um dos porões do centro psiquiátrico.

As seguintes imagens pertencem ao cemitério do centro psiquiátrico Willard, onde os pacientes falecidos eram enterrados de forma anônima (salvo por uma estaca com um número de identificação)."




Mais algumas imagens do centro psiquiátrico Willard:








Outras fotos que estavam nas malas encontradas no centro psiquiátrico abandonado:



















Abrax

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14 comentários:

Fideco disse...

Histórias de várias vidas.....muito interessantes..............mas muito tristes........
Faz refletir a transitoriedade da vida..........

Rus mea disse...


Sem dúvida Fideco...

Obrigado pelo comentário

Abrax

Master Leodin disse...

Não consegui terminar de ler.
Lendo histórias tristes como essas, fico ainda mais revoltado com os humanos.

Rus mea disse...


De fato, este material é penoso...

Eu mesmo estou sentindo um peso até agora, por fazer esta adaptação...

Obrigado pelo comment Master

Abrax

Noite Sinistra disse...

Sempre que vejo imagens de explorações em lugares abandonados logo me vem a mente o tipo de histórias que esse lugar testemunhou...sempre sou tomado de uma certa melancolia...e hj não foi diferente...GRANDE TEXTO!!!!

Rus mea disse...


Arigatou Noite

Tua aprovação sempre é muito importante para mim

Grande abrax

Anônimo disse...

Muito bom o texto, a história, impressionante! Mostra q essas pessoas tiveram e tem história! Parabéns!

Graziela Vieira

Rus mea disse...


Obrigado Graziela

O caso é realmente impressionante, principalmente quando refletimos que essas histórias foram resgatadas, mas muita coisa nesse mundão continua perdida ou oculta...

Quantas histórias os hospícios brasileiros teriam para contar?

Dê uma olhada nesta postagem do Noite Sinistra:

http://noitesinistra.blogspot.com.br/2013/07/o-holocausto-brasileiro-o-hospital.html

Obrigado pelo comentário

Abrax

Franklin Uchoa disse...

Sensacional esse material, você se envolve e se decepciona como a vida termina assim.

Rus mea disse...


De fato Franklin, é um material muito envolvente

Obrigado pelo comentário

Abrax

MUNDOSYD disse...

A historia mais triste foi a de Madeline,

Rus mea disse...


Acho que cada leitor se identifica mais com ou com outro desses pacientes...

Eu senti muita pena do Frank.

Obrigado pelo comment

Abrax

Samara Alves disse...

Eu fiquei muito chocada com essas histórias, realmente me dói saber que pessoas que nem necessitavam serem internadas dessa forma,foram e passaram o resto de suas vidas neste lugar,histórias realmente triste.Adorei saber mais sobre isso.

Anônimo disse...

Fica um nó na garganta. Tantas vidas desperdiçadas.Triste.