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quinta-feira, abril 3

Tsukumogami 下巻 - (e o monge budista)

Fonte Fonte Help Help Heeeeeeeeeeelp!
Cupinchas! Riso For
O rolo de pergaminho de baixo ou a segunda parte da lenda sobre Tsukumogami Riso For 
Nesta segunda e última parte o rosário volta a aparecer, desempenhando um papel importante nesta lenda Riso For

Primeira parte 上巻
Segunda parte 下巻

Segue adaptação:

O lorde serenamente acaba com a laúza dos monstros
"Devido a essa confusão, o representante do imperador não pôde seguir viagem para visitar o palácio Dairi (palácio Heian), o objetivo da sua viagem, deu meia volta então e foi embora.
A altas horas da madrugada, o lorde relata o incidente ao Imperador.
O Imperador ficou muito surpreso e imediatamente ordenou a leitura da sorte.
O resultado da adivinhação, recomendava uma rígida abstenção e por esse motivo, ele deveria fazer penitência e rezar no santuário.

A propósito, o amuleto que o lorde carregava na noite anterior e que manifestou o misterioso poder, possuía em seu interior uma oração* escrita por um certo monge santo, sendo uma carta com gratas palavras.
O lorde sempre carregava esse amuleto junto ao corpo.

*(尊勝陀羅尼 - Sonshoudarani - oração ou ladainha da vitória e do respeito segundo os próprios ideogramas do termo. Tal tratado entre o céu e a terra, semelhante as nossas cartas celestes, teria o poder de eliminar as barreiras do pecado, livrar de desastres e estender a vida do portador. Nota do Tradutor. rusmea.com)

O Imperador ao saber disso, decretou que todas as próximas orações deveriam ser realizadas pelo Bispo (mestre monge). O mestre tentou declinar uma e outra vez, mas como era uma ordem Imperial, ele não teve como recusar, decidindo realizar o que dizia a importante lei, no templo Seiryou do palácio Heian.

Os monges visitando as dependências do
castelo para fazer as orações
Quem realizaria a reunião**, eram apenas os sacerdotes virtuosos.
Sementes de gergelim foram queimadas, rosários esfregados e orações foram feitas.

**(O termo utilizado foi 法会=Houkai=Reunião para realizar um serviço comemorativo budista, como pregação, cânticos, orações ou serviços fúnebres. NDT. rusmea.com)

No sexto dia de orações, o Imperador se dirigia para o templo Seiryou, quando no caminho, ele olhou para cima e avistou uma luz muito clara. Dentro da luz haviam 7 a 8 espíritos protetores do budismo, em que um deles levava uma espada na bainha, outro carregava um cajado de luta nos ombros e cada um deles estava devidamente armado. A luz voou então na direção norte.

Os espíritos protetores do budismo
Aquela aparição só podia ser um sinal de que alguém da linhagem de Acala, iria exigir a rendição dos demônios. O Imperador ficou tão comovido que chorou.
Ao terminarem a cerimônia de orações, o Imperador chama o Bispo e lhe diz: 'A eficácia da oração, é o resultado do treinamento do mestre monge.'
Aquela palavras soaram para o monge com o significado de milhares de agradecimentos e ele comovido, foi embora do lugar com o rosto coberto de lágrimas.

O monge recebendo os elogios do Imperador

Pois bem, os espíritos protetores do budismo, voaram até onde se encontravam os monstros e em um instante, liquidaram com a turba:

'Se a partir de agora vocês não mais causarem danos aos humanos e derem importância ao budismo, poderemos deixar que vivam! Do contrário destruiremos todos vocês!'

Os monstros prometeram então, nunca mais fazer mal algum aos humanos.

(Nos balõezinhos da imagem, adaptados do texto antigo, está escrito: 'Podemos perdoar vocês, mas a partir de agora, vocês não podem mais matar humanos e precisam seguir o budismo, desse modo, pouparemos suas vidas.' 
'Obrigado, obrigado. Assim será. Não faremos de novo, nos poupe.' NDT. rusmea.com)
Os espíritos protetores vencem os monstros

Mais tarde, os monstros se reúnem, se lembrando do perigo de antes, onde passaram por uma situação de encolher seus corpos de medo:

A resolução dos monstros
'Devido a que nós matamos muitos seres vivos, nós fomos punidos pelas entidades Budistas. Reparando bem, foi um castigo merecido. Mesmo assim, eles olharam para o nosso coração passível de penitência e nos pouparam a vida. Assim que devemos tratar de nos tornar devotos de Buda e fazer orações a ele.' Todos os monstros instantaneamente, tiveram o mesmo senso moral.

Assim sendo, eles decidem falar sobre quem poderia lhes dar ensinamentos:

Os monstros empreendem uma viagem
para visitar o venerável mestre
'Pensando bem, aquele venerável mestre tem um grande nome entre os monges. Pediremos ao venerável que se torne nosso mestre e praticaremos sob sua tutela. Se bem que, nós o humilhamos no inverno do ano passado... Ele terá razão para estar furioso, mas se mostrarmos arrependimento do fundo de nossos corações, com certeza ele irá no perdoar.' Desse modo, os monstros decidem visitar o mestre.

(Nota do tradutor: Foi só nesta parte da lenda que este que vos escreve, rusmea.com, percebeu que o tal venerável mestre apareceu na forma de rosário na primeira parte da lenda...)

Por outro lado, o venerável mestre refletiu sobre o que havia acontecido no inverno passado e amargurado então, se retirou para viver isolado nas montanhas.
Ao entardecer de um certo dia, alguém bateu na porta da ermida: 'Quem será que me visita nos confins desta montanha?' E ao abrir a porta, eis que uma turba de monstros assustadores se encontrava ali.
Os monstros batendo na porta da ermida do venerável.

'Quem são vocês? Os céus lhes enviaram para atrapalhar o meu treinamento?' Disse o mestre.
'Não, não. Nada disso. Nós somos os utensílios velhos que tão bem conhecem a vossa venerável pessoa. Nós nos transformamos nestas figuras, mudando completamente nossa forma.' Os monstros explicaram ao mestre as orações à divindade que os transformou, o extermínio proposto pelos espíritos protetores e a sua nova busca pela religiosidade.

'Eu justamente estava pensando nos caminhos que todos teriam seguido. Eu não poderia ficar mais contente, pois além de terem me visitado, vieram movidos por um senso moral.' 
Entre os monstros se encontrava o porrete Aratarou, quem havia surrado o venerável no passado e agora penitente, implorou por perdão.
'Não diga isso. Tudo o que passou, deve ter sido causado pelo destino. Graças a surra que me destes, eu despertei para o budismo.'

Os monstros agora penitentes, relatam tudo o que havia ocorrido até aquele momento

Os monstros foram ordenados monges pelo venerável mestre. 
E assim mantiveram uma fé ardente até que um dia o mestre lhes falou: 'Resumindo o budismo em poucas palavras, o raso e o profundo dos ensinamentos é definido pela diferença na velocidade com que se parte desta vida. 
Os monstros entraram no sacerdócio
Igualmente, aceitar os ensinamentos profundos, fará com que rapidamente se abra a percepção para o conhecimento. Por muito anos eu aprendi os ensinamentos de diversas religiões. Principalmente do budismo, que por mais que haja diferenças na profundidade de seus ensinamentos, todos são preceitos iguais e portanto, não devem ter o bem ou o mal, avaliados de modo leviano. Seja como for, sobre o ponto de fazer a passagem para a outra vida rapidamente, o melhor modo é pela força do budismo da palavra verdadeira (Shingon)**. No passado, quando o sumo sacerdote Shomuro teve uma discussão na corte, Kobou Daishi (Kuukai) enquanto persuadia a razão com as realizações de Buda durante a vida, mostrou sua forma Vairocana** em resposta ao desejo do Imperador. 
Assim que todos vocês devem se tornar devotos dos ensinamentos do budismo Shingon e evidenciarem o quanto antes a própria iluminação.' 
Os monstros ficaram contentes ao ouvir este ensinamento e estudaram os preceitos Shingon.

**A palavra Shingon é a leitura japonesa dos kanjis para a palavra chinesa zhen yan, literalmente significando "palavra verdadeira", que por sua vez é a tradução chinesa da palavra sânscrita mantra que por sua vez, novamente, a palavra mantra teve sua pronúncia original alterada se tornando em japonês Butsu (仏)ou Hotoke, no qual, Butsu é a partícula do termo Bukkyou, religião de Buda ou budismo.

**Vairocana = Buda celestial, que é interpretado muitas vezes em textos como o Sutra da guirlanda de flores, como o corpo de felicidade do Buda histórico Siddhartha Gautama. NDT. rusmea.com)

A morte do venerável mestre
Originalmente, as ferramentas velhas eram utensílios e pelo úteis (utensílios=útil)** que eram, não se podia dizer nada em contra a grande capacidade deles. Portanto, aprenderam todos os ensinamentos budistas do venerável mestre.

Os meses e os anos passaram. Um certo momento, o mestre abordou os monstros dizendo: 'Por fortuna obtive vocês como discípulos e pude transmitir todos os ensinamentos do budismo da palavra verdadeira (Shingon). Com isso realizei o meu desejo.' 
Imediatamente após pronunciar essas palavras, ele se tornou um Buda no seu presente corpo físico. Tinha 108 anos de idade. A sua volta se encheu de luz e todo o quarto se tornou um universo budista. Os monstros ao verem a passagem do mestre, tiveram a sua fé ainda mais reforçada e se encorajaram ainda mais nos treinamentos.

** Do original: Motomoto, kibutsu datta furudugu-tachi desukara, ki (utsuwa) no ooki-sa wa moushibun arimasen. ( もともと、器物だった古道具たちですから、器(うつわ)の大きさは申し分ありません。)
Como originalmente as ferramentas velhas eram utensílios, palavra que contém o ideograma de recipiente 器 (Utsuwa=recipiente) do termo 器物 (Kibutsu=utensílio), não se podia dizer nada em contra a grande capacidade deles, pois no Japão, quando uma pessoa é generosa, paciente, com boas qualidades e/ou de grande coração, se diz que é uma pessoa cujo recipiente é grande: 器の大きい人 (Utsuwa no ookii hito) NDT. rusmea.com

Após isso, um deles colocou uma proposta:
'É possível que o treinamento esteja sendo negligenciado por vivermos todos juntos.
Está escrito nos Sutras que aquele que deseja seguir o caminho do budismo, deve ir para as profundezas das montanhas não é mesmo?
Cada um e cada qual por si só, deve ir e treinar nas montanhas e vales escuros. 
Também devemos cortar os laços com o mundo real para um melhor aprimoramento espiritual.'
Os monstros ficaram de acordo e mesmo sentindo o pesar das lembranças que tiveram juntos, cada um decidiu viver separado dos demais. Um deles estendeu uma esteira de musgos entre as rochas nas profundezas das montanhas. Outro, construiu uma ermida sob um pinheiro na sombra de um vale e lá treinou.
Os monstros se isolam do mundo e passam a viver separadamente

O treinamento valeu a pena e cada um dos monstros conseguiu se tornar um Buda nos seus devidos corpos físicos e ainda em vida. Devido ao treinamento diferente que cada um realizou, cada um deles se tornou um Buda distinto. A diferença no resultado da iluminação, é uma característica do budismo da palavra verdadeira (Shingon).

Com respeito a que ferramentas velhas que não possuíam alma terem alcançado a iluminação, está escrito que isso se deve a que a clareza dos ensinamentos da palavra verdadeira (Shingon) é capaz de realizar tal feito. Se até mesmo utensílios que não possuem alma, podem alcançar a iluminação, porque nós seres vivos providos de essência espiritual, não poderíamos alcançar a iluminação também? A intenção, é que ao conhecer a história da iluminação de meros objetos, seria o momento de fortificar a fé de modo mais profundo nos ensinamentos das palavras verdadeiras da religião budista. Quem deseja alcançar a iluminação ainda em vida, deve acreditar o quanto antes nos ensinamentos Shingon."

Detalhes adicionais:

"Assim como muitos conceitos no folclore japonês, existem várias camadas de definições usadas quando se discute Tsukumogami. Por exemplo, no século 10, os mitos de Tsukumogami foram usados ​​para ajudar a espalhar as 'doutrinas do Budismo Esotérico Shingon à uma variedade de audiências, que vão do educado ao relativamente pouco sofisticado, capitalizando sobre as crenças espirituais pré-existentes em Tsukumogami'.

Tsukumogami são objetos domésticos animados. Um otogizoushi (livro do conto de fadas) intitulado Tsukumogami ki (Registros de Tsukumogami - período Muromachi - 1336 - 1573) explica que depois de uma vida de quase cem anos de serviço, utsuwamono ou kibutsu (recipientes, ferramentas e instrumentos) recebem almas. Enquanto em muitas obras são feitas referências a esse trabalho como uma das principais fontes para a definição de tsukumogami, pouca atenção tem sido dada ao texto real de Tsukumogami ki.

No século 20, Tsukumogami entrou na cultura japonesa popular, de tal forma que os ensinamentos budistas foram 'completamente perdidos para a maioria das pessoas de fora', deixando os críticos comentando de modo geral, que Tsukumogami seriam seres inofensivos e no máximo, fariam travessuras ocasionais.

Os objetos na forma de monstros teriam a capacidade para sentir raiva e se reunirem para se vingarem contra aqueles que os descartaram em desperdício ou os jogaram fora sem pensar.
Para evitar isso, até hoje no Japão, alguns templos tecem cerimônias para dar fim a itens quebrados e inúteis."

Cupinchas! Riso For
A principal fonte desta lenda, provém de um antigo livro ilustrado intitulado como Tsukumogami, de data incerta e autor desconhecido, pertencente a Biblioteca digital da Universidade de Kyoto.

Assim como nas postagens sobre A compilação dos monstros de Yoshitoshi Primeira parteSegunda parteTerceira parte, este material foi totalmente traduzido e adaptado informalmente por este que vos escreve, rusmea.com e portanto, não possui valor didático...Ou seja, que este post não deve servir de fonte para algum trabalho escolar ou apresentá-lo como uma tradução definitiva. Riso For  Peço cautela caso o utilizem cupinchas! Riso For 

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