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quarta-feira, março 19

Tsukumogami 上巻 (e o rosário budista)

Fonte Fonte Help Help Heeeelp!
Cupinchas! Riso For
Compartilho com vocês esta antiga lenda sobre Tsukumogami, por sugestão do cupincha Agatodemon, que ficou sabendo de um rosário budista que teria se transformado em um monstro...Riso For 
Lamentavelmente, o rosário citado nesta primeira parte da lenda (Por isso o 上巻=Joukan=rolo de pergaminho de cima ou primeira parte de duas no título desta postagem Riso For ) aparece quase que de relance, não sendo portanto o que eu imagino que o cupincha tenho visto por aí...Riso For

Primeira parte 上巻
Segunda parte 下巻

Segue adaptação:

"Segundo o pergaminho 'notas diversas de Yin e yang', após 100 anos da fabricação de um utensílio, este receberia um espírito, se tornando hospedeiro de uma alma humana. Este é o mito de Tsukumogami*. Todos os anos, no começo do ano novo, as pessoas descartam os objetos ordinários do cotidiano na rua, em um hábito tradicional com conotações espirituais chamado de Susuharai**, que tem a finalidade de evitar infortúnios provocados por Tsukumogami.

Imagem de como era o "Susuharai" de ano novo


Notas do tradutor rusmea.com:
*Tsukumogami - Mito ou conceito de Tsukumogami, apesar de muita gente confundir com um deus que daria vida a tais objetos, devido a partícula "gami=kami=deus" no termo...
Na mitologia japonesa, os Tsukumogami (Algo como "entidade/deus/espírito artefato") é uma classe inteira de youkai=entidade=duende, que compreendem os utensílios comuns de uma casa que criaram vida no dia do seu centésimo aniversário.
São considerados seres míticos ou lendários porém, quase todos os Tsukumogami que possuem nomes, foram aproveitados do mito e recriados artisticamente no período Edo.
O artista mais popular que usou o mito de Tsukumogami foi Toriyama Sekien, mas outros artistas também contribuíram com suas próprias criaturas.

**Susuharai - "Expurgar a fuligem", mais conhecido hoje em dia como Oosouji, a temível grande limpeza de ano novo, onde funcionários de fábricas chegam a inventar desculpas para não ir trabalhar nesse dia...Riso For No entanto, apesar de objetos serem levados aos templos para serem incinerados com esse objetivo, não se vê mais hoje em dia, tais itens descartados nas ruas do Japão com as conotações que retrata esta lenda.

Objetos velhos abandonados na estrada

Por volta do período Kouhou (Ano de 964 a 968), na periferia da capital Kyoto, muitos objetos velhos foram jogados fora, das casas localizadas nas redondezas.
Esses utensílios se reuniram em um local e começaram a conversar:

'Por muitos anos nós servimos com todo o nosso empenho e ao invés de ganharmos um prêmio, muito pelo contrário, fomos descartados na beira da estrada onde somos chutados por vacas e cavalos. Que ódio! Já que é assim, que nos transformemos em monstros e nos vinguemos pela ingratidão!'
A conversa era perigosa e o tumulto começou a tomar conta daquela reunião de objetos.

Os utensílios confabulam, tentando se vingar dos seres humanos
Um velho rosário budista bastante desgastado pelo uso, conhecido como Ichiren Nyuudou, decide intervir na discussão:
'Senhores, nós fomos descartados desta maneira, devido a causalidade da transcendência (Pela própria condição de existir). Devemos devolver o ódio com amor, a ingratidão com gratidão.'

O porrete Aratarou
batendo no rosário
Ao ouvir isso o porrete de nome Aratarou se enfurece:

'O quê?! Não fale besteiras monge idiota! Onde já se viu falar coisas que fedem a incenso dessa maneira! Vá embora! Vá embora!'

Dizendo isso, o porrete golpeia o rosário ao ponto de quebrar as suas contas, deixando-o quase sem respirar à beira da morte.
O rosário quase morto, deixa o local com a ajuda de seus discípulos.

O rosário budista Ichiren Nyuudou é uma entidade (Youkai). Possui 2 contas grandes, nas quais estão os seus olhos, boca e nariz. Suas fileiras de contas lhe servem como pernas e a imagem mostra a criatura mitológica de pé. 
A fonte da imagem acima, cita duas passagens de um pergaminho antigo, relacionadas a este mito: "Pergunto se meu coração não estará amarrado ao desgosto, como as contas estão ligadas ao cordão do rosário." e "Eu apenas desejo cair junto de meus discípulos na beira do caminho e como pastos e folhas, desaparecer na neblina da vida.NDT. rusmea.com

A reunião dos utensílios seguiu em frente. O célebre pergaminho antigo, com todo o seu conhecimento, utiliza do princípio do Yng e Yang para colocar a sua proposta:

'Para começo de conversa, todas as coisas não possuem discriminação entre si. Segundo a lei do Yng e Yang, as coisas apenas aparentam ter as suas formas. A divindade criadora, é responsável pelas estruturas das coisas e se passarmos por suas mãos, será possível obtermos almas para nós. Na véspera do início da primavera (Setsubun) é o momento em que o Yng e Yang trocam de lugar, portanto, esperemos a próxima véspera de estação para lançarmos nossa vida fora nessa data, desse modo, a divindade criadora nos reconstruirá como monstros.'
Todos os objetos ficaram a favor desta proposta e foram embora satisfeitos.
O decepcionado
Ichiren Nyuudou
e um discípulo

Por outro lado, o rosário estava por demais frustrado com o que aconteceu e decide voltar para se vingar, no qual, os seus discípulos tratam de segurá-lo enquanto ele pronuncia:

'Pergunto se meu coração não estará amarrado ao desgosto, como as contas estão ligadas ao cordão do rosário.'

'Eu apenas desejo cair junto de meus discípulos na beira do caminho e como pastos e folhas, desaparecer na neblina da vida.'

Então, eis que chega a última noite de inverno.
Os objetos seguindo a proposta do pergaminho antigo, sacrificam a própria vida e se entregam à vontade da divindade criadora.
Originalmente, a aglomeração era de utensílios que haviam vivido mais de 100 anos, assim que em um instante suas formas mudaram drasticamente.
Alguns deles se transformaram em homens e mulheres, outros em anciões e crianças, alguns deles tomaram a forma dos maus espíritos dos rios e das montanhas (魑魅魍魎 - Chimimouryou) , e ainda outros viraram feras da floresta. Deste modo, inúmeros monstros terríveis nasceram naquele momento.

Os objetos que viraram monstros

(Os balõezinhos na imagem acima são adaptações do texto antigo e foram adicionados recentemente, contendo mais ou menos a seguinte conversa: 
"Hei, quando a flauta Yokobue se tornou um demônio (Oni), disseram que ela ficou com medo da soja mas, tu não deves ter medo."  "Humpf! Existirá um Oni tão covarde assim? Se me jogarem grãos de soja, eu junto e como. Vão servir como docinhos." 
Uma referência ao Mamemaki, o ato de jogar grãos de soja em alguém vestido de Oni no Setsubun, gritando "Oni para fora! Prosperidade para dentro!" NDT. rusmea.com)

Os monstros tratam de decidir o lugar onde iriam morar, pois ao viverem em um lugar muito isolado, teriam dificuldades em obter comida, assim que eles escolheram os fundos de Nagasaka, na parte de trás do monte Funaoka como moradia e para lá se mudaram.

A turba de monstros bebendo e dançando na maior algazarra
Para se vingarem por terem sido descartados, eles iam para a cidade devorar os humanos.
Nem vacas ou cavalos escapavam de serem devorados e as pessoas amedrontadas sentiam muita tristeza. Mas como se tratavam de monstros invisíveis, por mais que as pessoas desejassem, não havia um modo de eliminá-los. 
Assim que para as pessoas, só lhes restavam rezar para as deidades Xintós e Budistas.
Os monstros por sua vez, estavam satisfeitos.

Após beberem a mais não poder, se divertiam noite adentro, chegando ao ponto de se vangloriarem de que até mesmo os seres celestiais do paraíso, sentiriam inveja da boa vida que os monstros levavam.
Eles estavam se achando...

Os pensamentos, gostos e a vida em si dos monstros, vai aos poucos se tornando mais e mais requintada:

O título 'Flor' na composição da cantiga.
'Como adquirimos uma alma desde o primeiro dia da primavera e nos tornamos criaturas sobrenaturais, a cerejeira também teria adquirido um coração e se tornado um ser vivo. Como ela teria obtido o poder sobrenatural? Confundindo todos os corações daqueles que vêem pela beleza, as cerejeiras das montanhas'.

Os monstros recitam poesias japonesas (Waka)
(Está escrito no balãozinho da imagem acima: "A poesia é um dos costumes do Japão. Porém, não tem muito sabor não é mesmo?" NDT. rusmea.com)

Um certo dia, os monstros tiveram uma conversa em que o tema central era se deveriam reverenciar a divindade criadora:

'Nós renascemos graças a divindade criadora e se não idolatrarmos essa potestade, não seremos mais do que paus ou pedras. A partir de agora, vamos legitimar a divindade como nosso deus patrono e fazer cerimônias anuais em sua honra. Sem dúvida teremos uma próspera posteridade!'

Na parte de trás da montanha Funaoka, os monstros erigiram um pequeno templo com um altar e o chamaram de 'grande deus iluminado da transformação'.

                                             Os monstros realizando cerimônias 

Foram decididos quem seriam os sacerdotes e sacerdotisas, bem como os intérpretes de Kagura, e assim realizavam rituais pela manhã e no fim da tarde.

Por mais que fossem monstros, eles tinham uma fé muito intensa...

Além disso, decidiram fazer festivais do mesmo modo que outros santuários e para isso, construíram um altar portátil (Andor). O desfile dos monstros passava pela rua Ichijou (Famosa rua de Kyoto) em direção ao leste, nas madrugadas do dia 5 de abril. Suas criações possuíam a elaboração de diversas ideias e deslumbrantes decorações.

O desfile dos monstros (Eu deveria ter traduzido o título da outra matéria como o desfile noturno dos monstros e não como o desfile noturno das entidades...Tsc!¬¬ NDT. rusmea.com)


Mas acontece que um representante do Imperador, que se encontrava em uma missão extraordinária com sua comitiva, estava passando por aquela rua de Kyoto em direção ao leste, quando deu de cara com o estranho desfile de monstros. Os guardas que estavam na primeira fileira, caíram dos cavalos e desmaiaram e os outros servos imperiais, caíram com o rosto por terra e ali ficaram.
No entanto, o lorde nem sequer se alterou.

O lorde serenamente acaba com a laúza dos monstros
O lorde fitou as criaturas de dentro da sua carroça, onde misteriosamente o amuleto (Omamori) que ele carregava, começou a soltar labaredas de fogo. As chamas se espalharam em um instante, atacando os monstros e estes desesperados, correram feridos para salvar o fio de vida que lhes restava."

Os monstros que não foram destruídos pelas chamas do amuleto, correram por suas vidas








Fim da primeira parte Riso For'

Bônus:

A classificação de objetos Tsukumogami que criariam vida, é virtualmente ilimitada, mas esta pequena lista inclui os mais conhecidos:
Bakezouri (sandálias de palha)
karakasa (velhas sombrinhas de papel)
Kameosa (velhos potes de Saquê)
Ungaikyo (Espelhos possuídos)
Biwa-bokuboku conhecido algumas vezes como Biwa-yanagi. Monstro com forma de alaúde.
Biwa ou Alaúde em Português, é um instrumento musical tradicional japonês.
Furu-utsubo (pote velho) 
Kyourinrin (rolos e papéis possuídos)
Jotai (ser de tecido de telas pregueadas)
Zorigami (relógios possuídos)
Katana (espada maldita)

A principal fonte desta lenda, provém de um antigo livro ilustrado intitulado como Tsukumogami, de data incerta e autor desconhecido, pertencente a Biblioteca digital da Universidade de Kyoto.

Assim como nas postagens sobre A compilação dos monstros de Yoshitoshi Primeira parteSegunda parteTerceira parte, este material foi totalmente traduzido e adaptado informalmente por este que vos escreve, rusmea.com e portanto, não possui valor didático...Ou seja, que este post não deve servir de fonte para algum trabalho escolar ou apresentá-lo como uma tradução definitiva. Riso For  Peço cautela caso o utilizem cupinchas! Riso For 

Abrax^^

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2 comentários:

agatodemonbear disse...

Muito obrigado Sr Rusmea por atender meu pedido e fazer uma matéria tão completa e instrutiva.
Eu tenho o livro de Alexandra David -Nell. Tibete magia e mistério.
fala algo q talvez tenha acontecido:
Certa vez, um mercador que viajava com a sua caravana, durante um dia de tempestade, teve o seu chapéu levado pelo vento.
Como os tibetanos acreditam que apanhar um chapéu que caiu em tais circunstâncias, no decurso de uma viagem, traz má sorte, o mercador, cedendo à superstição, abandonou o chapéu onde havia caído.
O chapéu era de feltro macio, com lapelas de pele, que poderiam ser levantadas ou descidas para cobrir as orelhas, conforme o exigisse o tempo. Parcialmente enterrado entre os espinhosos arbustos para onde havia sido violentamente lançado pelo vento, a sua forma tomou-se dificilmente reconhecível.
Poucos dias mais tarde, ao passar pelo local, ao crepúsculo, um homem notou uma indecifrável forma que parecia agachar-se entre as moitas. Como não se tratava de um tipo excepcional¬mente corajoso, apressou-se a sair dali. Na manhã do dia seguinte contou a alguns aldeãos que havia visto “alguma coisa estranha” a pouca distância da estrada. Outros viajantes também notaram, no mesmo local, um objeto incomum, cuja natureza não podiam determinar, e da mesma maneira comentaram o caso com os aldeãos. Muitos e muitos outros viajantes tiveram oportunidade de avistar o inocente chapou, e todos chamaram a atenção dos habitantes da região para o estranho fato.
A esta altura dos acontecimentos, o sol, a chuva e a poeira haviam ajudado para que o chapéu adquirisse a aparência de um objeto ainda mais misterioso. O fêltro agora tinha a suja colo¬ração marrom-amarelada e as abas de pele lembravam vaga¬mente as orelhas de um animal.
• Os viajantes e peregrinos que paravam na aldeia próxima eram avisados de que, na orla da floresta, havia uma “coisa”, nem homem nem animal, que lá permanecia de emboscada e que portanto era preciso ter cuidado. Alguns sugeriram que a “coisa” devia ser um demônio e, em conseqüência, em pouco tempo, de anônimo que era até então, o objeto foi promovido à categoria de um diabo.
Com o passar dos meses, mais pessoas lançavam um olhar amedrontado ao velho chapéu, mais pessoas falavam sôbre êle, de maneira que todo o país veio a comentar sôbre o “demônio” escondido no limiar da floresta.
Chegou então o dia em que alguns transeuntes viram o trapo mover-se. E no dia seguinte alguns viram quando tentava desvencilhar-se dos espinhos que à sua volta tinham crescido e, finalmente, grande número de viajantes se pôs a correr, tomados de pânico e temendo por suas vidas.
O chapéu se tinha tornado animado pelos pensamentos que nêle se concentraram.
me lembrou aquela boneca q cresce o cabelo e aquele bibelô arrepiante q vc mostrou; eu fiquei a noite sem dormir direito XD

Rus mea disse...


Cupincha Agatodemon!!!!

Que história fenomenal!!!

Explica um monte de supostos fenômenos que acontecem por aí e com grande chances de explicar até os desta lenda sobre Tsukumogami^^

Obrigado por compartilhar^^

Grande abrax^^