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quinta-feira, janeiro 30

Jyma - o fogo e os ossos da guerra 2 - e o arquivo de Kuniyoshi

Fonte Fonte
Cupinchas!
Faz bastante tempo que publiquei e não toquei mais no assunto sobre as ONGs japonesas que coletam restos mortais (Primeira parte aqui) de soldados e vítimas civis da Segunda Guerra Mundial...
Para dar continuidade ao tema, compartilho com vocês um pouco sobre a JYMA e a coleção de Isamu Kuniyoshi.

Segue adaptação:

Soldados do exército Japonês e habitantes civis de Okinawa se ocultaram em cavernas sob o ataque da artilharia Norte-Americana.
Os Norte-Americanos, além de artilharia pesada, jogaram granadas e atacaram com lança-chamas aqueles improvisados abrigos subterrâneos, que calcitrou e sepultou naquele lugar, os que resistiram a ocupação de 1945.



Em Okinawa existia uma grande população, e as baixas civis na batalha foram no mínimo de 130 mil. As baixas Norte-Americanas foram mais de 72 mil, das quais, 15 mil e 900 pessoas foram mortas ou dadas como desaparecidas, o dobro de Iwo Jima e Guadalcanal juntas.




JYMA 'Japan-Youth-Memorial-Association' - "Jovens coletores de restos mortais do Japão"
"Todos os anos, muitas organizações coletoras de restos mortais que contam com o auxílio do coletor *Isamu Kuniyoshi, se dirigem a Okinawa
A **JYMA criada em 1967, é uma delas. Os membros, na sua maioria jovens estudantes universitários, não atuam exclusivamente em terras nipônicas, mas sim, coletam os restos mortais de vítimas de guerra por toda a Ásia.

*(Isamu Kuniyoshi, é o proprietário do 'Arquivo da guerra', apresentado nesta postagem. NDT. rusmea.com)

**(JYMA - 日本青年遺骨収集団 - Nihon seinen ikotsu shuushu-dan = "Jovens coletores de restos mortais do Japão" como a associação é chamada em japonês. NDT. rusmea.com)

O Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar social, mantém  uma relação de cooperação contínua com as atividades de coleta, tanto no Japão como em outros países.
A sigla JYMA, provém das iniciais de 'Japan-Youth-Memorial-Association' e foi certificada em Tókio no ano de 2002, como uma corporação sem fins lucrativos.

Inicialmente, a Jyma contava apenas com jovens estudantes, mas ultimamente, pessoas de mais idade e posições sociais, também estão participando ativamente da ONG. Entre os membros, se destacam enfermeiros, jornalistas e professores. Há também os alunos que sonham em se tornarem educadores, vivenciando e aprendendo desde já, os horrores da guerra, coletando os restos mortais de inúmeras vítimas dos campos de batalha.


Neste último ano (2013), dezenas de jovens decidiram deixar sua vida de lado, para suarem no interior de casamatas e cavernas escuras e úmidas inundadas de lama, coletando ossos.
No ano passado, houve uma porcentagem maior de universitárias, mas neste ano, a maioria de participantes foram de rapazes.

Os ossos das vítimas da guerra, possuem um aspecto calcário, muito fáceis de serem confundidos com corais ou pedaços de madeira, sendo necessária uma certa prática para distingui-los.
Desta vez, seria a primeira participação de vários jovens e havia uma certa preocupação se eles conseguiriam distinguir e coletar o material.


Mas graças a que todos os participantes estavam ardorosamente compenetrados com a atividade, todos foram capazes de distinguir os ossos perfeitamente, coletando mais ou menos a quantidade para 10 urnas. Essa surpreendente capacidade de distinção, adquirida em um curtíssimo prazo, se deve talvez, ao poder de concentração que apenas a juventude é capaz de gerar.

Faz parte do praxe, que após o término da expedição, todos se reúnam para saudar a memória dos mortos, onde fazem a separação, o melhor possível e ensacam os restos mortais."
(Esta reportagem não especificou o destino desses ossos, mas presumo que tenham sido enviados a algum templo, para cerimônias e cremação. NDT. rusmea.com)


Bônus:

Cupinchas...Devido a extensão da outra postagem, acabei deixando de fora a matéria de Ken Noguchi, sobre o o arquivo da guerra de Isamu Kuniyoshi. 
Por Ken Noguchi:

"Após a coleta dos restos mortais, eu visitei o arquivo/museu da guerra de Isamu Kuniyoshi
O Senhor Kuniyoshi tem coletado itens de guerra, por mais de 50 anos, acumulando milhares de objetos dos campos de batalha e dos lugares atacados em Okinawana na Segunda Guerra Mundial. Uma parte desse material coletado, é apresentado em exposições itinerantes pela província.
Devido a que o Senhor Kuniyoshi coleta restos mortais, ao mesmo tempo ele também encontra uma grande quantidade de objetos das vítimas, cuja maioria ele leva para casa, as lava peça por peça com muito cuidado, aplica anti-oxidante em algumas delas, cataloga e guarda com extremo rigor a sua triste coleção.

Fachada do arquivo da guerra do Senhor Kuniyoshi.
Os objetos que o proprietário do museu consegue reconhecer, ele envia para as respectivas famílias. Porém, a grande maioria dos objetos sem identificação, eram por ele enterrados, mas sentindo que todo esse material precisava ser visto pelo maior número possível de pessoas, o Senhor Kuniyoshi decidiu fundar o 'Arquivo da guerra' e expor as peças ao público.

O senhor Kuniyoshi, proprietário da coleção, segura um cantil com o nome 'Nishida' inscrito.
Granadas e vidros de remédios. (Todos os objetos possuem inscrições com tinta branca e preta, do local e data da descoberta. NDT.rusmea.com)
Sabres de guerra enfileirados.
Uma panela militar transpassada por artilharia.
Projéteis.
Uma montanha de óculos encontrados no interior de casamatas abandonadas.
Uma tigela derretida pelo ataque de lança-chamas, possui um pedaço de osso incrustado.
Pistolas queimadas por lança-chamas.
Tubos de ensaio deformados pelo calor das chamas.
Eu visitei o arquivo do Senhor Kuniyoshi e confesso que perdi a fala ao ver a crueza da coleção. Uma grande quantidade de objetos queimados por lança-chamas oriundos do interior de cavernas. Todos os objetos narram uma triste história, mas o que mais me impactou, foi a tigela derretida por lança-chamas, com um pedaço de osso incrustado...

O alpinista Ken Noguchi
Cada objeto tem uma história.
Dentaduras e até ossos de braços serrados.
Me foi mostrado apenas uma parte da coleção do Senhor Kuniyoshi. De todos os museus que visitei, este é de longe o mais impressionante. Com certeza, isso se deve ao fato desse homem ter coletado durante mais de 50 anos, todos esses objetos e apresentá-los ao público. Se trata de algo amador, mas imagino que não tenha sido nada fácil, coletar, limpar com tanto cuidado cada peça e catalogá-las uma a uma, fazendo do lugar, algo sem igual no mundo.

Eu sou de uma geração que não conheceu a guerra, mas através da coleta de restos mortais e da descoberta de tais objetos, penso que agora eu consigo sentir o que foi a guerra, mas na prática e não na teoria.
Até hoje eu tinha visto a guerra através de filmes e livros, mas em comparação, a atividade de coletar restos mortais me transmite diretamente com muito mais desespero, o nível da tragédia.

Suplementos nutricionais e ampolas de remédios resgatados de um hospital campestre.
Várias ampolas de remédios.
Eu sempre senti um grande desconforto com as palavras 'Dia em memória do fim da guerra'. O japão foi derrotado e até hoje expressam a data pelo duvidoso termo 'Fim da guerra', que simboliza a sociedade japonesa do pós-guerra. O Japão perdeu a guerra e com a derrota, foi preciso que o país se reerguesse como sociedade, no entanto, essa mesma sociedade vira o rosto quando o assunto é guerra ou conflitos. Eu seguirei tratando de vasculhar os campos de batalha, junto com o senhor Kuniyoshi e outros mais e assim, transmitir a verdadeira face da guerra às gerações futuras. 

Ken Noguchi."

Segundo fontes, devido a que os objetos coletados por Isamu Kuniyoshi, são catalogados com os lugares em que foram encontrados, a localização do pequeno museu, não foi divulgada para evitar a ação de vândalos nos sítios de coletas. rusmea.com

Primeira parte:



Abrax

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Um comentário:

Carlos Sampaio disse...

A quantia de coisas que se encontra após uma guerra é inexplicável.. nada muito amigável, porém coisas muito valiosas.. culturalmente falando.

Toda esta questão medicinal dos exércitos e suas enfermeiras, ampolas de remédios.. suplementos e afins. Como disse.. nada de muito bom é encontrado após guerras, ou nada que não foi saqueado.